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MiDNI e o DNI eletrónico no check-in: o que ler e o que não guardar

Sergio Ruano Madrid··7 min

O DNI 4.0 e a app MiDNI mudam a digitalização de documentos no check-in. Explicamos o que é cada um, como se leem, o que diz o RGPD sobre conservar a imagem e como se articula com o parte de viajantes.

Três «DNI» diferentes em circulação hoje numa receção

Em 2026 coexistem em Espanha três suportes do Documento Nacional de Identidade (DNI), todos válidos para se identificar no check-in. Confundi-los custa tempo e, se guardar a imagem errada, pode custar-lhe uma coima da Agência Espanhola de Proteção de Dados.

O primeiro é o DNI 3.0, o cartão com chip de contacto e antena NFC em vigor desde 2015. O segundo é o DNI 4.0 (em implementação), fisicamente semelhante ao 3.0, mas com um chip europeu eIDAS e melhor leitura sem contacto. O terceiro é o MiDNI, a app oficial da Direção-Geral da Polícia que permite comprovar a identidade a partir do telemóvel, sem necessidade de transportar o cartão físico.

Para efeitos do parte de viajantes (RD 933/2021), os três comprovam a identidade. O que muda é COMO os lê e que informação obtém.

Fontes oficiais

O que é o MiDNI e o que NÃO é

O MiDNI é uma app do Ministério do Interior que carrega uma representação digital do DNI no telemóvel do titular. O titular comprova a sua identidade mostrando um código QR dinâmico que a outra parte verifica junto do serviço oficial da Polícia.

O MiDNI NÃO substitui o DNI físico para todos os usos, mas serve para comprovar a identidade em muitos procedimentos administrativos e, por extensão, no check-in de um alojamento turístico.

O mais importante para um alojamento: o MiDNI não entrega ao anfitrião nenhuma imagem do DNI nem um PDF descarregável. O titular mostra um QR; quem verifica confirma a validade dos dados. Isso encaixa muito bem na doutrina da AEPD: nenhum sistema deve obrigar o hóspede a entregar uma cópia do documento.

Como se lê tecnicamente o DNI 3.0 / 4.0

Um DNI moderno pode ser lido de três formas. A escolha depende do fluxo de check-in que tiver montado.

  • Leitura ótica (OCR) da face visível: a câmara do telemóvel do hóspede fotografa a frente e um motor de IA extrai nome, apelidos, número do documento e data de nascimento. É a via habitual do self check-in remoto.
  • Leitura da zona MRZ (frente no passaporte, verso no DNI 3.0/4.0): as duas ou três linhas de carateres em formato ICAO 9303 são concebidas para leitura automática e são as mais fiáveis. Precisão > 99 % em condições normais.
  • Leitura NFC do chip (sem contacto): o telemóvel é aproximado do DNI para ler o chip eIDAS. Devolve os dados assinados criptograficamente pela Polícia, com validação instantânea contra falsificações. É o que o MiDNI utiliza internamente.

Que dados exige o parte de viajantes — e o que NÃO deve guardar

O RD 933/2021 detalha os 21 dados por hóspede que têm de ser enviados ao SES Hospedajes. Entre eles: nome, apelidos, tipo e número de documento, data de emissão, data de nascimento, nacionalidade, sexo, morada, telefone e e-mail.

A Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD) deixou claro em várias resoluções que conservar uma fotocópia ou uma fotografia do DNI é uma recolha excessiva de dados, segundo o princípio de minimização do RGPD. O alojamento só pode extrair os campos que a lei exige.

Conclusão prática: se ler o documento com OCR ou NFC, a imagem captada deve ser processada de forma transitória e descartada de imediato. Conserve apenas os 21 campos legais assinados pelo hóspede, não o JPG do DNI.

Fontes oficiais

Quando escolher OCR, MRZ ou NFC

Não existe uma única via correta; cada uma resolve um problema diferente. Uma boa plataforma de check-in combina-as.

  • OCR da face visível: o hóspede só tem um DNI antigo ou o documento do seu parceiro sobre a mesa. É a via universal, mas a menos fiável em documentos amarrotados ou com pouca luz.
  • MRZ: o hóspede é estrangeiro com passaporte, ou tem um DNI 3.0/4.0 novo. A precisão sobe acima dos 99 %. Funciona com a câmara de qualquer telemóvel moderno.
  • NFC do chip: o hóspede tem DNI 4.0 ou um telemóvel com MiDNI ativado. Os dados chegam assinados pela Polícia — é o mais resistente à fraude documental. Requer que o telemóvel tenha NFC e autorização explícita do titular.

E o hóspede estrangeiro: passaporte, NIE e TIE

O DNI eletrónico aplica-se apenas a cidadãos espanhóis. Para estrangeiros, os documentos válidos continuam a ser o passaporte, o NIE (Número de Identificação de Estrangeiro) e a TIE (Cartão de Identidade de Estrangeiro, que é o suporte físico do NIE).

Passaporte: leitura MRZ da frente, fiável e universal. Excelente para o turismo. O NIE, como número administrativo, nem sempre tem chip; a TIE já o tem no modelo novo.

Para o parte de viajantes, o campo soporteDocumento do XML do SES Hospedajes identifica com um código o tipo (DNI, NIE, passaporte, outros) — e deve coincidir com o documento efetivamente lido.

Como o BookCheckin gere isto

O BookCheckin combina OCR da face visível, leitura MRZ do verso do DNI ou da frente do passaporte, e validação cruzada dos dados. O hóspede digitaliza o seu documento a partir do telemóvel, revê os campos extraídos e assina digitalmente — tudo a partir do navegador, sem instalar nenhuma app.

O fluxo é concebido desde a origem para cumprir a doutrina da AEPD: minimização dos dados, descarte da imagem após o processamento, e conservação cifrada apenas dos 21 campos exigidos pelo RD 933/2021 durante o prazo de três anos fixado pela norma.

E quando o hóspede chegar com o MiDNI ativado no telemóvel, basta ler o código QR. O sistema verifica os dados sem necessidade de transcrever nada.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre o DNI 3.0, o DNI 4.0 e o MiDNI?+

O DNI 3.0 é o cartão com chip de contacto e antena NFC em vigor desde 2015. O DNI 4.0 é o seu sucessor (em implementação em 2025-2026), com chip europeu eIDAS e melhor leitura sem contacto. O MiDNI é uma app oficial do Ministério do Interior que comprova a identidade a partir do telemóvel através de um código QR dinâmico, sem necessidade de transportar o cartão físico.

O MiDNI serve para fazer o check-in num hotel?+

Sim. O MiDNI comprova a identidade e o estabelecimento pode usá-lo para registar o hóspede no sistema do SES Hospedajes. A vantagem para o alojamento é que não se troca nenhuma imagem do DNI — só se verificam os dados necessários.

Posso guardar uma fotocópia ou foto do DNI do hóspede?+

Não. A Agência Espanhola de Proteção de Dados alertou repetidamente que conservar cópias dos documentos de identificação constitui uma recolha excessiva de dados segundo o RGPD. Só podem ser extraídos e armazenados os 21 campos exigidos pelo RD 933/2021 — nunca a imagem do documento.

O que é a zona MRZ do DNI e onde está?+

A MRZ (Machine Readable Zone) são as três linhas de carateres no verso do DNI 3.0 e 4.0, em formato ICAO 9303. São concebidas para leitura automática por OCR e devolvem os dados do titular com uma precisão superior a 99 %. No passaporte, a MRZ está na frente da página de dados.

A leitura NFC do DNI requer o PIN do titular?+

Para aceder aos dados assinados e certificados criptograficamente do chip, sim: o titular deve introduzir o seu PIN. Para o check-in turístico, a prática habitual é OCR/MRZ, porque o fluxo é mais rápido e suficiente para o parte de viajantes. O NFC é preferível quando se quer prevenir a fraude documental, por exemplo em hotéis de gama alta.

O que acontece se o hóspede for estrangeiro e não tiver DNI?+

Os estrangeiros identificam-se com passaporte, NIE ou TIE. Todos são válidos para o parte de viajantes, e o campo soporteDocumento do XML do SES Hospedajes identifica que tipo de documento foi lido. O BookCheckin deteta automaticamente o tipo e aplica a leitura ótica que melhor se adequa a cada um.

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